Em busca de Fellini é um filme que deve ser assistido por todos: dos que amam a arte de Federico Fellini aos que simplesmente gostam de curtir um cineminha com pipoca no final de semana. O filme, que estreia em 7 de dezembro nos cinemas brasileiros, traz uma carta de amor aos clássicos de Fellini, a Itália e sua visão do mundo, e é claro, traz uma história bem interessante e envolvente também.

Lucy (Ksenia Solo) tem apenas 20 anos de idade e nada conheceu da vida. Superprotegida por sua mãe, Claire (Maria Bello), que a criou solteira, ela não teve acesso a realidade da vida ou da morte, a amigos ou se quer relacionamentos amorosos; sua vida foi baseada em poucos filmes de romance (onde sua mãe pulava as cenas mais fortes) e em seus desenhos. Após a descoberta de um tumor, Claire (Maria Bello) pede ajuda a sua irmã Kerri (Mary Lynn Rajskub) para deixar isso oculto de Lucy, o que resulta em uma crise de ansiedade entre elas sobre o futuro dela: o que será de sua vida? ela nada sabe, nada viu e em nada tem experiência!

Em seu primeiro contato com o mundo real, Lucy se assusta e decepciona em uma entrevista nada convencional de emprego, além de ter sua Vespa roubada. Abalada, ela acaba encontrando consolo em um Festival de Cinema que estava acontecendo no centro da cidade, o Tutto Fellini, que ressaltava as obras do grande Federico Fellini. O que, até então, Lucy tinha de referência cinematográfica, foi devastado por uma enxurrada de novos sentimentos, emoções e arte. Ela acaba descobrindo e se apaixonando por filmes com apelos sexuais nunca antes visto, com pegadas ilusionistas, humanitárias e obscuras, coisas que até então ela se quer sabia existir. Tamanho avassalador foram esses novos sentimentos que ela resolve querer conhecer o cara do seus sonhos cinematográficos e, com o incentivo de sua tia Kerri, ela vai para a Itália.. em busca de Fellini.

Tudo tem um propósito. Mesmo aquela pedra. Até as estrelas. Mesmo você.

Enquanto temos de um lado Lucy, se jogando pela primeira vez no mundo, atrás de um sentimento novo e transbordante dentro dela, do outro lado temos Claire em casa, incapacitada por sua doença, pela primeira vez conhecendo realmente quem era sua filha no intimo: transitando através da essência de Lucy por seu quarto, seus desenhos e também seus novos filmes. A conexão das duas é maior que a distância entre EUA e Itália e a ligação mãe e filha chega a ser tocante em vários momentos.

A viagem de Lucy é repleta de novidades. Em um primeiro momento ela não consegue chegar a Roma e acaba parando em Verona, se mete em confusão, entende coisas, descobre outras, conhece lugares, divide momentos, desbrava sua própria história e isso é altamente encantador tão quanto irritante tamanha sua ingenuidade. Mesclando a realidade com a ficção, Lucy se encontra perdida em meio aos cenários de seus filmes favoritos.

Seus momentos nas ruas de Verona são intensos, confusos e até mesmo surreais em alguns minutos. Ela conhece do lixo a glória em Verona e sua história se mescla com a narração de frases de Alice no País das Maravilhas que sua mãe lhe contava quando criança: a arte engolindo a vida, se expressando nas pessoas e criando os mais variados sentimentos em Lucy, da adoração ao desespero.

É tudo muito confuso porém intenso e bonito. É a mais pura e bela arte!

Lucy é uma personagem muito ingenua, crua, simples e decifrável. É fácil entender o que se passa nela devido a sua transparência, porém, a sua ingenuidade nos enche de raiva em certos momentos. Ela é uma referência visual e delicada aos trejeitos de Gelsomina, um dos personagens de Fellini em ‘A estrada da vida‘, e as referências no filme em si não acabam por aí! Também podemos encontrar cenários italianos e características de sua marca como diretor em diversos momentos, remetendo sempre aos seus clássicos anteriores. Imagens metafóricas, imagens que falam por si só, fantasias que conversam com a realidade, mesclando sentimentos intensos com a crença no real dela e o ilusionismo das lentes dele, desenrolando em uma explosão de cenas por hora confusas e auto interpretativas, por outras vezes claras e concisa.

Você não precisa entender os filmes, só deixe-os entrar em você como sonhos.

Uma história de autoconhecimento, descobertas, companheirismo familiar, aceitação a vida e a sentimentos. Com personagens definidos e uma história bem construída. Ksenia Solo é realmente uma atriz de peso, que consegue nos passar toda a emoção, inocência e magia da personagem através de seus grandes olhos e seu jeito meigo e delicado de ser. Ela preenche um papel perfeitamente, do inicio ao fim, nos envolvendo nos medos, espantos, desejos e descobertas de Lucy. Maria Belo e Mary Lynn conseguem desempenhar papeis grandes, fortes e intensos. Consegui me ver perfeitamente com minha irmã em suas interpretações tamanha intensidade, explosão, desafetos, carga emocional, apoio e amor envolvidos entre elas.

Toda fotografia do filme é encantadora, assim como todos os cortes e enquadramentos. As cores combinam e dançam entre si, nos fazendo sentir de um sonho calmo a uma tomada familiar de férias pela Itália. Detalhes são muito bem registrados, cenas são super exploradas, expressões valorizadas e emoções destacadas. Um filme completamente lindo, não só em seu roteiro mas também em toda sua estrutura visual e característica: garbosa, delicada e ao mesmo tempo exuberante e rústica.

As vezes você precisa viajar pra longe pra encontrar o que está perto de você.

Em busca de Fellini é um presente aos apaixonados e entusiastas de Federico Fellini mas também é um filme maravilhoso! É uma delicadeza em forma de arte, com muita paixão em cada cena e detalhe produzidos. Uma carta de auto descobrimento para muitos que precisam quebrar barreiras em suas vidas e lutarem, assim como Lucy, por seus sonhos.. sejam eles quais forem.

EM BUSCA DE FELLINI

Lançamento: 7 de dezembro de 2017
Duração: 1h 33min
Direção: Taron Lexton
Elenco: Ksenia Solo, Maria Bello, Mary Lynn Rajskub
Gênero: Drama
Nacionalidade: EUA

Em busca de Fellini estreia dia 7 de dezembro nos cinemas brasileiros.

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