Resenhas de Livros

Tudo e todas as coisas

Tudo e todas as coisas é o primeiro romance da autora Nicola Yoon e best-seller número 1 do The New York Times. Tamanho sucesso desse livro, o mesmo teve duas edições publicadas no Brasil, além de ter sua adaptação cinematográfica lançada a pouco menos de um mês (15 de junho). Conhecer novos mundos e universos completamente diferentes do nosso é algo realmente fantástico.. claro que só poderia ser uma das funções e qualidades de um bom livro que, quando escrito com o coração, é melhor ainda!

Diferente de tudo o que já li, Tudo e todas as coisas não é apenas mais um sick-lit com o fator drama/romance no meio. Não existe nada similar ao tão famoso A Culpa é das Estrelas e o livro passa longe de ser apenas mais um clichê literário. Vamos falar sobre a história para que possa me fazer entender melhor, ok?

TUDO E TODAS AS COISAS

Sinopse: Tudo envolve riscos. Não fazer nada também é arriscado. A decisão é sua. A doença que eu tenho é rara e famosa. Basicamente, sou alérgica ao mundo. Não saio de casa. Não saí uma vez sequer em 17 anos. As únicas pessoas que eu vejo são minha mãe e minha enfermeira, Carla. Então, um dia, um caminhão de mudança para na frente da casa ao lado. Eu olho pela janela e o vejo. Ele é alto, magro e está todo de preto: blusa, calça jeans, tênis e um gorro que cobre o cabelo. Ele percebe que eu estou olhando e me encara. Seu nome é Olly. Talvez não seja possível prever tudo, mas algumas coisas, sim. Por exemplo, vou me apaixonar por Olly. Isso é certo. E é quase certo que isso vai provocar uma catástrofe.(veja mais)

Dessa vez eu conheci Madeline, uma jovem encantadora que literalmente sonha com o mundo. Diagnosticada aos 6 meses de vida como portadora de IDCG (um tipo muito raro de alergia, onde o portador tem uma vasta lista de coisas nas quais não pode se quer chegar perto, que causam grande estrago em seu organismo, podendo leva-lo a morte), Maddy não conhece o mundo além das paredes de sua casa, onde é monitorada durante todo o dia por sua enfermeira e amiga CarlaSe ela tem perspectivas? Muitas. Todas frustradas! Ela vive em uma bolha, reclusa em seu mundo de quatro paredes. Se ela é infeliz? Não. Maddy é feliz a sua maneira, com sua mãe, com Carla, com as noites de meninas onde desfruta da companhia de sua mãe com jogos a dois, com suas aulas via Skype e com a pequena projeção do mundo resumido em sua sala de estar.

“De uma coisa eu tenho certeza: a vontade só leva a mais vontades. Não há limites para o desejo.”

Lá dentro está tudo o que ela conhece, e lá fora tudo o que deseja. Com a chegada de novos vizinhos, bem aos poucos Maddy começa a desejar mais. Após cogitar e insistir na hipótese de Olly passar pela descontaminação no tubo de ar e ficar o mais distante possível dela, mas no mesmo cômodo, Carla cede e eles finalmente ‘se conhecem’. Ela passa a se envolver com Olly, seu novo vizinho e colega de janela de quarto, o que gera nela uma obsessão pela família vizinha: ela monitora os horários,  se envolve – mesmo que distante – com a história deles, ou melhor, com a história dele. Olly passa a ser, intimamente, o desejo secreto dela que foi inflamado com esse pequeno empurrãozinho de Carla.

“No início, não havia nada. E então, de repente, havia tudo.”

Ele passa a ser a maior representação do que a vida pode ser, do que uma jovem pode sentir.. de tudo o que ela não viveu e ela está simplesmente disposta a abrir mão de tudo apenas para poder se sentir finalmente viva.

Esse livro tem muito mais do que apenas a capa como original mas sim uma história muito original. Quando nos deparamos com uma realidade completamente diferente da nossa, passamos a dar mais valor a vida e, conhecer Maddy me criou expectativas de vida tão intensas e profundas que chega a ser até difícil de por em palavras.

Nicola Yoon me surpreendeu por escrever tão docemente, tão intensamente e com tanto sentimento nas palavras. Ela criou personagens nos quais nos afeiçoamos de cara a grande maioria, abordou temas polêmicos como a violência à mulher, a super proteção de pais e mães, a maneira como lidamos com traumas das nossas vidas e, em um resumo da ópera, escreveu um livro muito delicado e original. Senti junto com Madeline toda a angústia de querer explorar o mundo e não poder, todas as limitações nas quais ela era imposta, todos os sonhos que ela era obrigada a deixar da cortina de descontaminação de ar para fora de sua casa.

“A gente não pode prever o futuro. Acabei descobrindo que também não podemos predizer o passado. O tempo passa em ambas as direções – para a frente e para trás – e o que acontece aqui e agora muda o que passou e o que ainda virá.”

Me envolvi de tal maneira que devorei esse livro em apenas um dia e fiquei repassando essa história por mais outro dia inteirinho em minha mente. Me encantei com a protagonista, me emocionei com suas angústias, chorei por suas derrotas, me alegrei por suas vitórias, me apaixonei junto com ela.. <3 Histórias como essas devem ser repassadas, principalmente para os adolescentes e jovens que, infelizmente, amam reclamar de barriga cheia.

Essa edição lançada pela Editora Arqueiro veio com um plus especial: várias fotos oficiais do filme! Além da capa com o poster original do filme, sem perder a tipografia da capa original do livro lançado lá fora e diveeersas ilustrações de bilhetes, gráficos e muito mais do que temos no contexto da história! 🙂

Devemos todos aprender com Maddy a viver, independente das condições nas quais somos submetidos a encarar a vida. 🙂

Michelle Felippelli
27 anos, fotógrafa e publicitária formada e uma completa bookaholic. Sou exatamente ao pé da letra o significado de Agridoce: amarga e doce. ;) Junto com a Priscila sou fundadora do Portal Garota Agridoce, além de ser administradora, colunista e social media por aqui.