Resenhas de Livros

Na escuridão da mente

Completamente inverso ao meu estilo de leitura, Na Escuridão da Mente é um livro que se me oferecessem a leitura, de cara eu rejeitaria. Repleto de suspense, dúvidas e muitas perguntas sem respostas, temos uma ficção atual que aborda um tema complexo: exorcismo.

Conhecemos a Família Berrett. Uma família normal, que é abalada pelo diagnóstico dos sintomas de esquizofrenia encontrados na filha mais velha, Marjorie. Eis que os problemas começam a se agravar com a falta de melhora da menina, ampliando o cenário para: uma família cheia de problemas, dívidas e perturbações emocionais, conturbados pela extensão do envolvimento religioso e pela impotência diante a situação. Uma trama assustadora, perturbadora e muito enigmática; que, em certo momento, te causa raiva, incredulidade e altos questionamentos.

Após diversas tentativas sem sucesso, a mente do Sr. Berrett começa a pender para o lado das forças religiosas: sua filha estaria possuída? Uma ideia brilhante surge e ele decide juntar o problema a uma possível solução viável: documentar tudo em uma espécie de ‘BBB do Exorcismo’ (chamado de A Possessão), visando ganhar dinheiro, resgatar a fé das pessoas no cristianismo e, quem sabe, conseguir salvar sua filha.

Temos uma construção muito bem elaborada, com personagens muito bem definidos e situações bem conturbadoras. Caímos de pára-quedas na vida dessa família através da visão de Merry, a filha mais nova, intercalando passado e presente, e por artigos sobre o programa publicados em um site. É chocante presenciar no decorrer das páginas o horror vivido por aquela família, a situação digna de pena em que eles viviam.

O que mais me deixou em choque foi o oportunismo do Sr. Berrett. Expor sua família e sua vida em rede nacional, utilizando as desculpas religiosas e o ‘não sei mais o que fazer’ para ganhar em cima de algo triste e desesperador.. é surreal! A exposição as suas filhas foi demais pra mim, confesso.

Temos uma história muito bem elaborada, muito próxima da realidade (a ponto de confundirmos e nos tocarmos de que SIM, isso pode acontecer a qualquer um) e com um desfecho muito.. enfim. É um gênero no qual não tenho costume em ler, mas que me surpreendeu muito positivamente pois eu realmente me envolvi e me entreguei a leitura.

Infelizmente não há maneira de fazer com que essa resenha seja mais clara ou objetiva. Não possuímos certezas nessa história (sem que role spoilers, claro) e só somos carregadas de dúvidas, dúvidas e mais dúvidas.

É com uma grande surpresa que eu realmente indico essa leitura, mesmo que thrillers não façam parte da sua lista de gêneros favoritos: leia e se surpreenda, fique encucada e, acima de tudo, se desespere por não ter respostas a tamanha perturbação emocional encontrada nessas páginas.

Michelle Felippelli
27 anos, fotógrafa e publicitária formada e uma completa bookaholic. Sou exatamente ao pé da letra o significado de Agridoce: amarga e doce. ;) Junto com a Priscila sou fundadora do Portal Garota Agridoce, além de ser administradora, colunista e social media por aqui.