maio 08, 2017

OS TREZE PORQUÊS

Após o suicídio de Hannah, Clay recebe uma caixa com 7 fitas contendo o registro dos 13 motivos que levaram a jovem a tal ato. Clay simplesmente não é capaz de compreender que ligação teria com a morte de Hannah, mas aceita realizar o último pedido da garota ouvindo os áudios. O que ele não sabe é que estava prestes a mudar drasticamente sua percepção sobre as pessoas ao redor e sobre a menina que ele tanto gostava, mas que nada sobre conhecia.

Créditos da imagem: www.sacudindoaspalavras.com.br

A força dos boatos. No dia 5 de abril deste ano uma multidão quase linchou um casal devido a um boato espalhado através das redes sociais. Esse exemplo da vida real é excelente para alcançarmos quão profundo é o tema abordado em Os Treze Porquês.

A força das palavras e suas eternas consequências: é basicamente esse o ponto de Os Treze PorquêsO fato é: muitos olharão e enxergarão como “besteira”, pois acreditam que o mundo tem seu timer e não pode parar por conta de pessoas mais “sensíveis”. A questão é:  o mundo é feito por nós, logo, não deveríamos permitir tais situações. Assim como é mais eficiente educar um garoto para que não machuque uma menina do que ensinar a garota a se defender dos homens, é mais inteligente construir a responsabilidade emocional do que lamentar a morte daqueles que chegam ao limite sentimental.

OS 13 PORQUÊS

Autor: Jay Asher
Editora Ática
256 páginas – 2009

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra na porta de casa um misterioso pacote com seu nome. Dentro, ele descobre várias fitas cassetes. O garoto ouve as gravações e se dá conta de que elas foram feitas por Hannah Baker – uma colega de classe e antiga paquera -, que cometeu suicídio duas semanas atrás. Nas fitas, Hannah explica que existem treze motivos que a levaram à decisão de se matar. Clay é um desses motivos. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Quando crescemos passamos a enxergar essas situações com um toque extremamente crítico, mas as pessoas que as vivem, principalmente os jovens, não precisam de sentido ou lógica, eles apenas sentem. Sentem a força dos boatos, sentem as dificuldades de adaptação, sentem que não são queridos pois não são enxergados, notados e compreendidos. Lançam diversas indiretas, por vezes até mesmo as mais diretas possíveis, mas não são levados em consideração. Muitos pais estão ocupados demais, devido a problemas do dia-a-dia, perdendo a sensibilidade para esse momento da adolescência, onde uma gama de sentimentos explode e ainda não há maturidade e discernimento para filtra-los.

Quantos pais, irmãos, tios, avós, professores ridicularizam as crises existenciais dos jovens que os rodeiam? Quantos pedidos de ajuda, quer explícitos ou não, foram tratados como “fase”?

“Quando você faz alguém se sentir ridículo, você tem de assumir a responsabilidade pela ação de outras pessoas que tomam isso como pretexto.”

Uma polemica que o mundo presenciou recentemente, entrando em uma grande discussão sobre, foi: os pais deveriam ou não permitir seus filhos assistirem a série original Netflix, baseada na obra, 13 Reasons Why?

O objetivo da literatura é sensibilizar o leitor, fazê-lo sair do seu mundo limitado expandindo o horizonte a ponto de compreender a realidade daquele que escreve e não influenciá-lo a reproduzir seus atos, mas compreender os seus motivos. Justamente por isso creio que o melhor espectador para 13 Reasons Why seria um adulto, pois, se assim o quisesse, poderia recordar as dificuldades da infância, tornando-se mais sensível e presente nas necessidades daqueles que o rodeiam, principalmente daqueles que dele dependem.

“É importante estarmos consciente do modo como tratamos os outros. Mesmo que alguém pareça ignorar um comentário casual ou não se deixar afetar por um boato, é impossível saber tudo o que se passa na vida daquela pessoa e o quanto podemos ampliar sua dor.”

Para as crianças eu não o indicaria. Em uma mente vulnerável e em formação, como a de uma criança, todo o contexto pode SIM soar como a romantização da ideia do suicídio, pode acabar criando a ilusão de que através de atos extremos ela será capaz de chamar atenção. A diferença, que muitas pessoas não alcançam, é que uma criança mal assistida pode enxergar apenas a possibilidade de se fazer enxergar, mas um jovem mais maduro pode compreender a importância de se respeitar o emocional do próximo.

Já para um adulto o livro pode causar uma conscientização junto com a ideia de ensinar os filhos a não apenas forte nesse mundo frio, mas proliferar uma geração mais calorosa e compreensiva, mais respeitadora e consciente das consequências emocionais de seus atos desde a infância.

“Ninguém sabe ao certo o impacto que tem na vida dos outros.”

Após terminar de escrever sobre o livro, resolvi assistir 13 Reasons Why e descobri que ela possui cenas extremamente fortes. Não que no livro não aja, mas nele encontramos um enfoque mais explicito nas emoções, nos motivos e nas razões de Hannah e não em cenas brutais, como na série, mas sim sentimentos brutais.

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  • Gabriela Souza

    Oi Pri! Adorei sua resenha. Acho super importante discutir sobre esse assunto tão delicado e que poucas pessoas compreendem. Conheço uma pessoa que quase passou por essa situação, e é bem triste ver as pessoas julgando! Ainda to na metade da série, mas pretendo terminar logo! Beijoss

  • Marta Izabel

    Oi, Priscilla!!
    Li esse livro no final do ano passado antes de assistir a série na Netflix. Gostei do livro principalmente por que serve de alerta para os jovens sobre certo comportamentos que alguns jovens tem com relação a brincadeiras sem sentido algum.
    Bjoas

  • Lara Caroline

    Oi Pri, tudo bem?
    Concordo plenamente com você, que resenha importante a sua. Todas as pessoas precisam se conscientizar sobre o suicídio e aprender a cuidar e compreender o sofrimento alheio, mas cada um a maneira adequada para sua idade. Não assisti a série ainda e estou com o livro em casa para ler. Vou encaixar nas minhas leituras.
    Beijos

  • Eduarda Rozemberg

    Eu li esse livro no final de 2015 e na época fiquei bem pensativa a respeito. Nunca tinha lido nada relacionado a suicidio e boatos, ou coisas assim. Fiquei bem surpreendida, apesar da história não ser tão desenvolvida assim (ao menos na minha opinião). A série trouxe uma visão bem mais completa da visão da Hannah e fiquei bem chocada. Livros como esse e o Último Adeus são necessários para conscientização. Adorei a resenha.
    Abraços!

  • Marília Leocádio Lourenço

    Oi Priscila!!!
    Não li ao livro mas assisti a série, e acho que simplesmente as pessoas não tem noção das palavras fortes e que elas possuem o poder de magoar quem nos rodeia e na série aconteceu isso nós nunca sabemos o que se passa pela cabeça de um ser humano seja criança, adolescente ou adulto, eu não concordo que o suicídio seja uma maneira de melhorar a situação, acho que há varias maneiras de resolver mesmo que seja como no cado da protagonista que estava com depressão, mas ainda acho que podemos tentar ajudar.
    Até mais!!!

  • rudynalvacorreiasoares

    Priscilla!
    Não tive oportunidade de assistir a série e nem li o livro ainda, mas acho importante que o assunto seja discutido, porque por vezes, não nos importamos com a reação das pessoas e elas estão apenas pedindo ajuda para saírem de uma crise que pode mesmo levar ao cuicídio. A maioria das pessoas acha que depressão é bobagem, que a pessoa deve sair sozinha, etc, mas fato é que sem uma ajuda, jamais sairá da situação e ela pode se agravar cada vez mais.
    “A solidão é a mãe da sabedoria.” (Laurence Sterne)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.

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