Abordando assuntos como adoção e dogmas religiosos, Philomena havia chamado a minha atenção já faz tempo, mas foi somente neste último final de semana que consegui sentar para assisti-lo e me deliciar com o seu enredo baseado em uma história real.

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Longe de estar vivenciando o seu ápice, o jornalista Martin Sixmith após ser demitido planeja dividir o seu tempo entre se exercitar (correr) e escrever história sobre a antiga Rússia para que futuramente possa as reunir num livro, contudo, numa noite, seus planos acabam sofrendo uma singela alteração. Logo depois que Sixmith encontra uma jovem numa festa que lhe faz um único pedido, que inicialmente ele faz questão de frisar que não sente desejo algum em atendê-lo, porém, após conversar com a sua esposa, ele volta atrás em sua decisão e assim ele acaba conhecendo Philomena Lee e sua história.

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Philomena Lee é uma senhorinha irlandesa católica que aos 18 anos veio a pecar – segundo a doutrina católica – quando permitiu numa noite de liberdade que um belo rapaz areasse sua calcinha e lhe tocasse. Após este ‘pecado’, a família de Phil adotou uma prática que era comum na época: eles decidiram trancafiar a menina dentro de um convento para ela não só esconder a gravidez indesejada e motivo de desonrar para o sobrenome Lee, como também para que ela pudesse consequentemente purificar a sua alma. Contudo, o lugar não oferecia as melhores condições do mundo para uma mulher ter e criar o seu filho, dado em vista que muitas morriam ainda na mesa de parto junto com os seus filhos por falto de auxilio medico (quem fazia os partos eram as freiras mais jovens), já que era não era permitido pelas freiras mais velhas, pois as mesmas acreditavam que todo o sofrimento que acontecia na hora de dar a luz servia como uma espécie de penitência; as mães que sobreviviam continuavam a viver no convento por mais quatro anos, independentemente se os filhos tivessem tido a mesma sorte do que elas.

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Philomena e seu filho, que ela veio a registrar como Anthony Lee, sobreviveram e passaram a conviver juntos apenas uma hora por dia, o restante do dia Phil dividia o tempo entre ter que exercer os piores trabalhos do convento (esses realizados na lavanderia) e seguir as programações estabelecidas pelas freiras, enquanto Anthony era cuidado por outras internas, junto com outras crianças, que tinham uma história parecia com a sua – que passam a ficar ainda mais parecidas quando se tornavam moeda de troca, em outras palavras, eram vendidas para casais norte-americanos em sua grande maioria de grande poder aquisitivo, no mesmo momento em que suas mães permanecia na Abadia de San Ross para quitar a divida de 100 libras.

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Mesmo não tendo uma forte inclinação a sensibilidade, Martin promete que ira ajudar Phil reencontrar seu filho que ela vem procurando há 50 amos, desde que foi adotado (vendido) para um casal americano. O único registro que Philomena tinha era uma foto tirada por uma amiga sua (uma freira menos rigorosa) às escondidas. Sixmith, decidi não só ajudar Lee, como também contar a sua história ao mundo, ele entra em contato uma conhecida que faz a ponte ele a editora, que no final passa a financiar os custos da busca do filho perdido.

A partir desse ponto em diante, as características mais marcantes tanto de Philomena quanto de Martin ficam mais evidentes; ela é uma senhora que apesar de ter sido prejudicada por conta da fé de outras pessoas, ela ainda nutri a sua e é procura sempre enxergar e tirar o melhor de uma situação ruim, já ele, é cético, e prefere ter uma visão ampla dos fatos do que se agarrar a único lado. E justamente as diferenças deles que deixam as coisas mais leves e despretensiosas, conforme vamos descortinando a vida de Anthony, que acabou se tornando o Daniel.

NOTAS SOBRE O FILME E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Um professor meu disse que não levamos mais do que alguns segundos para identificarmos se vamos ou não gostar de algo ou de alguém – talvez seja por isso que o Tinder esteja em alta, mas o assunto não é esse –, e foi exatamente que aconteceu comigo, bastou que as primeiras cenas piscassem na tela para eu saber que eu realmente iria gostar daquele filme que já tinha despertado o meu interesse anteriormente.

Conforme o filme foi ganhando ritmo, eu pude perceber que por mais que os assuntos fossem polêmicos e facilmente me conduzisse a um sentimento mais melancólico, ela ainda assim tinha conseguido contar a sua história sem pender para o sentimentalismo piegas e populistas que andam em alta no cinema norte-americano.

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Philomena

Ano: 2014
Direção: Stephen Frears
Elenco: Amber Batty, Amy McAllister, Anna Maxwell Martin, Barbara Jefford, Cathy Belton, e outros
Gênero: Drama
Roteiro: Jeff Pope, Martin Sixsmith, Steve Coogan

Sinopse: Irlanda, 1952. Após ficar grávida fora do casamento, Philomena é mandada para um convento. Lá ela tem seu filho, mas convive pouco tempo com ele, já que é obrigada a entregá-lo para adoção. A criança é adotada por um casal americano, e, durante 50 anos, Philomena busca incansavelmente pelo filho, com a ajuda do jornalista Martin. Ao viajar para os Estados Unidos, eles descobrem informações incríveis sobre a vida do filho de Philomena e criam um intenso laço de afetividade entre os dois.

Conhecemos a história de Phil, ficamos empáticos a sua dor e entendemos a reação de Martin quando filme chega ao seu ápice, e ele ver que Philomena não ira tomar uma atitude tida como esperada. E talvez tenha sido isso que me fez amar este filme, a fidelidade que os personagens tem as suas características mais marcantes, obviamente que eles evoluíram e afetaram um ao outro de um modo positivo, mas isso não fez com que eles se distanciam daquilo que eles eram verdadeiramente.

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  • Gislaine Lopes

    Oi Juliana,
    Ultimamente tenho apreciado muito os filmes baseado em história real, pois a conexão que sinto com as histórias são mais intensas. Este filme aborda temas bem polêmicos e pesados. A religião e o fanatismo demonstrado por muitos é algo bastante complicado de falar. Essa distorção que ocorre em relação a fé e crença em Deus é que gera situações como esta contada nesta trama, onde uma jovem e seu filho terão que pagar por um “erro” como se um crime hediondo tivesse sido cometido. Deve ser uma história bem emociante sobre fé e esperança e, realmente, espero que tenha um final feliz.

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