Eu te darei o Sol foi uma agradável surpresa na minha vida. Vamos conhecer a história de Noah e Jude, gêmeos com personalidades bem distintas, narrada pelo ponto de vista de ambos. Ele é fechadão, na dele. Ela é super descolada, agitada. Opostos bem distintos. Um relacionamento que, com a chegada da ‘aborrecência’, passa a não ser um dos melhores e que começa a desandar mais ainda quando ambos se veem nesta situação: apaixonados pelo mesmo cara.

Noah é gay e isso é algo guardado a sete chaves, como um grande segredo em sua vida.

A história se passa em dois tempos, sem uma sequência cronológica certinha, intercaladas entre os gêmeos dentro da distância de 3 anos no tempo: temos a narração de Noah aos 13 anos e a de Jude aos 16 e isso foi algo confuso a principio, mas bem interessante no fim das contas. Podemos acompanhar o relacionamento dos irmãos, o problema gerado pela ‘afinidade’ de Noah com sua mãe, uma professora de artes que se identifica mais com o filho por sua afeição com a pintura, os acontecimentos resultantes de um grande desastre na vida deles, o afastamento de ambos, entre outras coisas mais. E a pergunta que paira do ar é: o que encontramos em Jude aos 16 anos que tenha relação com o Noah de 13 anos?

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Eu te darei o Sol

Autora: Jandy Nelson
Ano: 2015
Páginas: 384
Editora Novo Conceito
*escolhi colocar a capa em inglês pois estou apaixonada por ela!

Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia. Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém. Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.

Uma história que vai muito além de um afastamento entre irmãos, de desavenças familiares, ciumes ou de um inusitado triângulo amoroso: ela abordará os caminhos tomados por ambos no decorrer do amadurecimento de cada um, as situações em que se meteram, as companhias boas ou ruins, as mentiras adotadas como parte da vida. Coisas típicas que todos nós passamos ou passaremos em nossa vida.

Afinal, quem sabe? Quem sabe alguma coisa? Quem sabe quem está no controle? Ou o quê? Ou como? Quem sabe se o destino é apenas como você conta para si mesmo a história da sua vida?

Com relação ao triângulo amoroso só posso dizer que a forma como cada um lidou com isso foi bem peculiar e BEM oposta. Jude, em toda sua afobação e jeito de ser, acaba se aproximando do cara que Noah gosta e isso acaba trazendo mais confusão na história toda. Porém, em um balanço geral, temos duas pessoas que pensam iguais mas agem de maneiras diferentes, resumindo a premissa do livro: nem sempre o amor surge nas formas em que estamos acostumados. Ele pode simplesmente surgir em qualquer situação ou em qualquer lugar, só precisamos estar preparados para senti-lo.

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Esse livro é bem complexo. Não é uma história difícil de ler. Longe disso! Mas é complexa pois mexe com várias facetas da personalidade de dois adolescentes que estão simplesmente crescendo, vivendo, errando e aprendendo. Temos a abordagem em lados distintos: Jude narra seu dia a dia na escola, dentro de casa, no relacionamento com seu irmão e familia; aborda seus receios, seus medos mais intensos e seus fantasmas internos, enquanto Noah briga internamente contra sua sexualidade, seus sentimentos e seus anseios.

O livro é muito mais que um mero romance ou triangulo amoroso, mas aborda veementemente o relacionamento “conturbado” de uma família aparentemente normal. Noah e Jude, apesar de tão diferentes (o fato de serem gêmeos a parte) são duas pessoas que, querendo ou não, pensam de forma parecida, mas a grande diferença entre eles está no fato dele ser mais reservado e ela bem expansiva.

Sempre sei o que se passa na mente da Jude. Não é tão fácil para ela saber o que se passa na minha mente, porque eu tenho persianas mentais e as fecho sempre que acho necessário. Como ultimamente.

Jandy despertou em mim um misto de sentimentos enquanto fazia essa leitura. Um Young Adult bem escrito, que valeu toda a divulgação feita pela Novo Conceito, mas que merecia ter temas um pouco mais explorados (como as consequências de nossos atos perante aqueles que amamos, por exemplo). Viajei no tempo por tantas situações que já vivi, momentos em que me identifiquei com a história. Amor, felicidade, alegria, deslumbre, ansiedade. Raiva, tristeza, desapontamento, solidão, desespero.

Ufa! Quanta coisa pra se sentir com uma única leitura, não?

Em troca do sol, estrelas, oceanos e todas as árvores, prometo que vou pensar no assunto.

Num apanhado geral, esse livro me fez voltar a adolescência, recriar momentos em minha mente, pensar em situações que já vivi e recriar atitudes diferentes para soluciona-las. Confesso que Eu te darei o Sol não me pegou de primeira, mas com o passar dos capítulos e o desenvolver da história, pude me afeiçoar aos personagens, me compadecer do drama pessoal de cada um e me cativar pelo enredo em si só.

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  • Eu realmente estou louca para ler esse livro,esse e Raio de sol,são livros que eu realmente quero ler.
    Toda a trama é baseada em problemas que realmente existem em familia,brigas,tristeza e coisa e tal,eu realmente quero ler ele,e ver como você reagiu a ele através da sua resenha me deu ainda mais vontade de ler!!

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