No período passado minha professora de técnicas de Exames Psicológicos I decidiu que havia chegado a hora de exemplificar de um modo menos maçante – não que as aulas dela fossem – a importância do psicólogo estar em analise para assim poder analisar o outro e, foi apostando em No Limite do Silêncio (filme dirigido por Tom McLoughlin) que a mesma conseguiu aprofundar e gerar um bom debate sobre o tema.

O enredo do filme aborda duas histórias que se assemelham em alguns pontos e se entrelaçam no meio caminho. A primeira história é do terapeuta Michael Hunter, que se tornou um homem mais fechado e até mesmo descuidado consigo mesmo após seu filho adolescente, que vinha sofrendo de uma profunda depressão, se suicidar; apesar dos esforços da sua família e principalmente dele para recuperar o menino.

Enquanto ele insistia para o seu filho fazer terapia com um amigo seu, sua esposa insistia na ideia de uso de medicamentos para tratar os sintomas que vinham afligindo o menino e interferindo diretamente a sua interação com as pessoas que o cercavam. Um pouco antes de ceifar a sua vida, Kyle, explica o motivo pelo qual decidiu por um ponto final em sua tristeza de um jeito tão extremista, o que leva o seu pai ir tirar satisfações com o seu amigo, terapeuta do seu filho, só que o mesmo acaba cometendo suicídio na frente dele.

Após este episódio, a família do terapeuta não é a mesma.. e pudera, como poderia ser? Separado, Michael passa a viver sozinho, deixando afastada, Shelly, sua filha mais nova e Penny, sua ex-esposa. O que acaba influenciando a formação psicológica e emocional de sua herdeira, que se torna uma pessoa mais distante da família e revoltada. Três anos depois, Michael, reaparece em cena mais abatido, quase como se estivesse pronto para fazer um cosplay do personagem Chuck Noland, do filme náufrago. Seu desgosto é tão grande que o mesmo decide não clinicar mais, apenas se dedicar as suas obras literárias e palestrar e é justamente numa dessas palestras que conhecemos Barbara Wagner, uma ex-aluna de Michael que lhe pede orientação num caso.

Sendo mais especifica, ela pede ajuda no caso de Thomas, personagem que ficou incumbido de nos contar a segunda história da trama. Após ter a sua mãe assassinada pelo seu pai e ver o mesmo sendo preso quando era ainda era apenas uma criança, acaba indo parar num orfanato; anos se passam e o menino, agora, com 18 anos e preste a ser liberado, Barbara sente que ele ainda não está pronto para enfrentar o mundo lá fora – mesmo ele aparentando ser doce e pacífico, em outras palavras: sem traumas danosos – e por isso, ela decide recorrer ao seu ex-professor a fim de ter um segundo parecer, porém, inicialmente, Michael recursa, alegando que ele não atende (clinicamente) mais, contudo, o caso acaba chamando a sua atenção e acaba fazendo com que Hurter volte a se cuidar.

Logo em suas primeiras análises, ele percebe semelhas entre Thomas e Kyle, e isso fica tão nítido ao ponto de Thomas também perceber e passar a querer se aproveitar deste fato para conseguir o ‘ok’ que tanto precisa para ir embora daquele lugar. Ele decide se aproximar de Shelly mesmo não sabendo lidar muito bem com contato físico – principalmente quando há segundas intenções no toque e isso fica mais do que claro quando ele reage da pior forma possível a tentativa de ‘algo mais’ vindo de uma menina. Ele se apresenta a Shelly quase como um herói e a menina fica tão envolvida no personagem que ele criou que não chega a perceber que ele só se aproximou dela para recolher informações que possam lhe ajudar na hora de forçar uma semelhança com Kyle.

Isso acaba desencadeando uma série de acontecimentos eletrizantes que eu tenho certeza que deixarão vocês de queixo caído!

Notas sobre o filme e Considerações Finais

Lembro-me que quando eu terminei de assistir ao longa-metragem, fiquei me perguntando: até que ponto conhecemos a pessoa que divide algumas horas do dia conosco? Até que ponto podemos colocar a nossa mão no fogo por ela?

Conforme fui pensando nessas interrogações, percebi que o filme trata-se de um convite ao desprendimento, mais especificamente ao desprendimento de nossas crenças pois quando as deixamos de lado por um momento, conseguimos tirar o antolho que não permite que a nossa visão venha se ampliar. Assim entendemos que muitas vezes o corpo fala muito mais do que a boca.

NO LIMITE DO SILÊNCIO

Direção: Tom McLoughlin
Gênero: Drama/Suspense
Elenco: Sam Bottoms, Brendan Fletcher, Teri Polo, Andy Garcia, Trevor Blumas, Vincent Kartheiser, Linda Cardellini

Sinopse: Atormentado pelo suicídio de seu filho, um psicólogo que havia abandonado a profissão concorda em atender um adolescente com problemas.

Caso você esteja se perguntando por que raios o psicólogo em atuação precisa estar em analise para analisar os outros, a resposta é simples: somente com o devido acompanhamento de outro profissional da área, o psicólogo irá conseguir separar aquilo que pertence a ele e o que pertence ao seu paciente, e assim não irá ocorrer transferência e nem manipulação, como ocorreu no filme.

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  • Caroline Furlan

    Eu gosto de filmes antigos,recentemente também tive que assistir um para a faculdade,assisti o Óleo de Lourezo,que é um filme muito bonito também.
    Eu nunca assisti No limite do silêncio,mas o fato de ter esse lado psicológico no drama chamou minha atenção.O fato do psicologo ter se suicidado na frente do pai do rapaz colocou uma duvida na minha cabeça que é: porque ele fez isso?O garoto sofria tanto assim e ninguém percebia?
    Eu vou assistir mais para frente,quando tiver um tempinho.

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