Resenhas de Livros

Todos de pé para Perry Cook

Falar sobre ‘Todos de pé para Perry Cook‘ é fácil e ao mesmo tempo difícil. Escrito sob uma realidade completamente diferente da que conhecemos, somos apresentados a vida de Perry Cook: uma criança de 11 anos que nasceu, foi criado e reside dentro de um presídio de segurança mínima em SurpriseNebraska.

Perry é um menino doce e inteligente, bem educado e que sabe respeitar limites, tanto os seus como o dos outros. Nascido e criado – com permissão da Diretora do presídio – na Penitenciária de Blue RiverPerry cresceu em um ambiente atípico, mas com todas as regras e deveres impostas a uma criança normal: escola, deveres de casa, tempo para se divertir, horários para comer, acordar e dormir. É muito simples e fácil se apaixonar por Todos de pé para Perry Cook logo de início, já que ele te conquista com sua visão sobre a vida, com o mundo pelo seu olhar.

Sua rotina é simples, mas lhe faz feliz. Perry acorda cedo todos os dias e desperta todos no presídio com seu habitual ‘Todos de pé para Perry Cook’, o que nos remete ao título do livro, em seguida toma seu café, vai à escola e regressa ao presídio.

– Bom dia. Aqui é o Perry no nascer do sol. Hoje é segunda-feira, doze de setembro. Se vocês quiserem saber como eu dormi, bem, eu não dormi. – Eu paro para respirar, e solto um suspiro profundo. – Não sei o que vocês vão comer no café da manhã. Também não sei o que eu vou comer no café da manhã.

É fato que muitas coisas ‘normais‘ de direito à criança foram entregues a ele de maneira adaptada, como festas de aniversário, que por sua vez eram improvisadas pelos residentes do presídio, e convívio social, onde seus amigos todos eram adultos condenados por seus crimes; e outras foram vetadas, como receber amigos da escola em casa, participar de passeios escolares, viajar nas férias e etc.

Enquanto trabalhamos, eu me lembro do sonho ensolarado e poeirento. Vencer sempre. É o outro lema de Big Ed para ser um residente bem-sucedido. O “vencer” quer dizer contar todas as coisinhas boas que acontecem com você todos os dias como vitórias. .. Portanto, uma ligação, um código, um chocolate e um colchonete. Quatro coisas bem boas.

Sua mãe, Jéssica Cook, está presa há exatos 12 anos. Ela descobriu sua gravidez na prisão e por milagre conseguiu criar Perry junto de si por longos 11 anos. Tão logo se aproximava sua audiência de liberdade condicional, Jéssica recebe a primeira má noticia: o adiamento da mesma. Em seguida o pior: Perry é retirado da Penitenciária com a justificativa de que aquela não era uma vida decente para uma criança.

O que nos faz pensar que, por viver de forma diferente das crianças de sua idade, ele não conheceu o sentido real da palavra casa? O fato de morar dentro de um presídio o faz ser menos amado/cuidado do que outra criança? 

Inserido em uma nova realidade, ele se vê morando na casa do Promotor VanLeer que, por ironia do destino, é o padrasto de sua única e melhor amiga: Zoey. A adaptação é muito difícil, VanLeer é um cara que, ao mesmo tempo que é engraçado, sentimental e bem família, consegue ser duro e distante. Em contrapartida temos a Sra. Samuels (mãe de Zoey) que é uma mulher forte, sensível e muito amorosa, que não mede esforços para tentar fazer da estadia de Perry algo mais confortável.

Agora VanLeer acha que eu devia gostar de estar fora de Blue River. Mas sinto saudade de casa. Acho que não entendo Thomas VanLeer. E ele também não me entende.

Mentalmente mais velho do que as crianças de sua idade, Perry cresceu lidando com os mais variados tipos de pessoas, das calorosas as mais frias e insensíveis, justamente por levar uma condição de vida diferenciada.  A realidade da Penitenciária na qual Perry vive é diferente dos presídios convencionais. Por se tratar de Segurança Mínima, temos diversos tipos de crimes, de homicídios culposos (onde não há a intenção de matar) à porte de drogas para uso pessoal em estados proibidos.

Em determinado momento da história surge um trabalho escolar, onde Perry precisa contar sobre a vida de alguém e é nesse momento que somos apresentados ao outro lado da história, lado esse que na maioria das vezes nunca é vista em situações como essas: o lado dos presidiários.

Lixar é a coisa perfeita a fazer pelo resto do dia. Fico escondido atrás de uma mascara. Deixo meus ouvidos se encherem com o ruído do movimento da lixa. Eu lixo e lixo, porque uma cadeira tem muitas partes. Tiro todas as camadas de tinta até chegar na madeira. “É como a história de mamãe”, penso. É como todas as histórias de Blue River, o jeito como você vaca ao contrário para encontrar o começo.

O enredo da história é simples: o que acontecerá com Perry? Ele vê o caso de sua mãe sem previsão de remarcação, o promotor que lhe tirou da penitenciária dificultando as coisas e a distância entre ele e sua mãe aumentando. Seu único desejo? Voltar para casa.

Todos de pé para Perry Cook foi um livro muito bem elaborado, que possui uma leitura de fácil compreensão, sem palavras difíceis ou um vocabulário complexo e, além disso, tem uma diagramação simples, uma capa bem ilustrada e capítulos bem curtos, o que te faz aproveitar melhor a história. Com um pouco mais de 280 páginas, temos duas visões da história: uma geral, em terceira pessoa e a outra pelos olhos de Perry.

Todos de pé para Perry Cook

Autora: Leslie Connor
Gênero: Ficção, Infantojuvenil, Literatura Estrangeira
Editora HarperCollins
288 páginas
2017

Sinopse: Perry Cook, aos 11 anos, só conheceu uma casa: o Instituto Penal Misto Blue River. Mas apesar de ter nascido e sido criado em uma penitenciária, ele não deseja viver em nenhum outro lugar; lá ele tem a mãe, a benevolente diretora e um grupo de prisioneiros divertidos e bondosos que lhe ensinam lições valiosas todos os dias. Quando, porém, o novo promotor descobre a permanência irregular de Perry em Blue River, ele resolve libertar o menino, mesmo contra a vontade dele. Em sua jornada para se reunir com a mãe, Perry vai mergulhar não só em uma investigação sobre o crime que a levou à prisão mas também em uma jornada emocionante e divertida, perfeita para fãs de Extraordinário e O menino do pijama listrado.

Não sei em que momento Todos de pé para Perry Cook me chamou a atenção.. o que sei é que quando me dei conta estava louca pra tê-lo. Conhecer a história de Perry me fez repensar e muito na minha vida, agradecer por tudo o que tenho e dar mais valor aos pequenos momentos, sejam eles em família ou entre amigos.

14 mar, 2017
Michelle Felippelli

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