O diário de Anne Frank

Em 9 de julho 1942, Anne, seus pais, sua irmã e outros judeus (Albert Dussel e a família van Daan) se esconderam em um Anexo secreto junto ao escritório de Otto H. Frank (pai de Anne), em Amsterdã, durante a ocupação nazista dos Países Baixos. Inicialmente, Anne Frank usa seu diário para contar sobre sua vida antes do confinamento e depois narra momentos vivenciados pelo grupo de pessoas confinadas no Anexo.*

Não é de agora que a mulher é peça fundamental em todas as instancias da vida. Com sua coragem, garra e determinação, a mulher é capaz de dar o pontapé inicial nas áreas mais importantes da humanidade, mesmo quando nem ao menos imaginam que serão protagonistas de marcos históricos.

“Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta. Mas pergunto-me: escreverei alguma vez alguma coisa de importância? Virei a ser jornalista ou escritora? Espero que sim, espero-o de todo o meu coração! Ao escrever sei esclarecer tudo, os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias.” (Anne Frank)


“O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso escrever; senão, me asfixiaria completamente.” (Anne Frank)

Esse é o caso de Anne Frank, que carrega em seus ombros peso dobrado de contribuição para a sociedade. Assim como os judeus, as mulheres são um povo extremamente marginalizado ao longo da história da humanidade e Anne carrega em si essas características.

Muitos negam o Holocausto, mas é um fato e a melhor forma de lidar com os erros é expondo-os. Aprendemos o futuro analisando o passado para não mais repetir as atrocidades que outrora fomos capazes de realizar.

Hoje em dia temos internet no computador, no smartphone, nos tablet’s e até mesmo em relógios, o que torna muito fácil o acesso a materiais históricos, mas convenhamos que isso é extremamente novo no mundo. Hoje carregamos num leitor digital uma biblioteca inteira e temos acesso a histórias inimagináveis, mas não era assim no passado. Demorava muito para se ter dimensão de algo pois a notícia era extremamente peneirada, fazendo com que a nação não participasse em 100% daquilo que estava realmente acontecendo.

Com o final da 2ª Guerra Mundial o mundo não tinha real noção das atrocidades cometidas pelos nazistas, até porque, em meio a uma guerra já temos destruição demais na soleira da porta para ainda pensarmos que alguém mais está sofrendo até mais do que nós.

“Apesar de tudo eu ainda creio na bondade humana.” (Anne Frank)

Se você fizer uma rápida pesquisa no Youtube terá acesso à vídeos mostrando a libertação de campos de concentração, assim como fotos de alguns dos bárbaros acontecimentos que por lá passavam, mas nada pode passar maior realidade do que as impressões da guerra através dos olhos de uma criança.

Temos milhares de títulos abordando o assunto, onde muitos são relatos de sobreviventes desse massacre, mas nem todos tiveram tamanho alcance como este diário. Por mais que Anne não relate o que acontecia dentro dos campos, ela escreve como a guerra é capaz de alterar tudo ao redor.

“Ao longo de todo o tempo em que aqui estive, ansiei inconscientemente – e por vezes conscientemente – por confiança, amor e afeição física. Este anseio pode variar em intensidade, mas está sempre presente.” (Anne Frank)

Perda de liberdade, de amigos, do aconchego e da segurança do lar. Numa idade de brincar e de ir pra escola, ela vê sua infância interrompida para conviver com situações inomináveis, mas sempre lutando para não perder sua humanidade e dignidade, mesmo que em algumas situações parecesse tão impossível.

“É uma maravilha eu não ter abandonado todos os meus ideais, que parecem tão absurdos e pouco práticos. Se me prendo a eles, porém, é porque ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas têm bom coração.” (Anne Frank)

O Diário de Anne Frank foi entregue por Miep Gies a Otto H. Frank, seu pai, após a morte de Anne Frank ser confirmada. Anne Frank faleceu no campo de concentração Bergen-Belsen em fevereiro de 1945, quando tinha 15 anos. Seus relatos foram publicados em 25 de junho de 1947. Depois de receber um prêmio humanitário da Fundação Anne Frank em 1994, Nelson Mandela chamou uma multidão em Joanesburgo, dizendo que ele tinha lido O Diário de Anne Frank enquanto estava na prisão e que o livro lhe trouxe muito estímulo. Na luta contra o nazismo e o apartheid, ele explicou o paralelo entre as duas filosofias: porque estas crenças são patentemente falsas e porque eram e sempre serão desafiadas por gente como Anne Frank, elas estão no limite do fracasso.*

Anne expôs, de forma despretensiosa, os seus sentimentos e impressões inocentes sobre o momento em que vivia. Seu diário relata os períodos entre 12 de junho de 1942 e 1º de agosto de 1944. Em 4 de agosto de 1944, agentes da Gestapo detiveram todos os ocupantes que estavam escondidos em Amsterdã. Separaram Anne de seus pais e levaram-nos para os campos de concentração.

A repercussão do Diário de Anne Frank foi tão grande que serviu de inspiração para diversos filmes sobre o holocausto. Os originais estão depositados no Instituto Holandês para a Documentação de Guerra.

A mensagem que Anne Frank nos passa é de força, resistência e vontade de viver. Apesar de tudo o que acontecia em volta, Anne conseguia escrever em seu diário e sempre resistir mais um dia.

12 de Junho de 1929: Anne Frank nasce em Frankfurt am Main (Alemanha).
1933: A família Frank emigra para Amsterdã.
1934: Anne Frank vai para o jardim de infância na Escola Montessori, em Amsterdã.
1941: Os judeus devem frequentar escolas separadas. Anne e Margot tem que ir para o Liceu Judaico.
12 de Junho de 1942: Em seu aniversário de 13 anos, Anne ganha um diário de presente.
5 de Julho de 1942: Margot é convocada para se apresentar em um campo de trabalho na Alemanha.
6 de Julho de 1942: A família Frank passa a se esconder no Anexo Secreto.
4 de agosto de 1944: Os escondidos são presos.
8 de agosto de 1944: Os escondidos são enviados para o “campo de transição” de Westerbork (Holanda)
3 de setembro de 1944: Deportação para o campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau (na Polônia ocupada).
6 de setembro de 1944: Chegada em Auschwitz. Anne sobrevive à seleção.
Outubro de 1944: Anne e Margot são deportadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen (Alemanha).
Março de 1945: Anne e Margot chegam em Bergen-Belsen.
Julho de 1945: Otto fica sabendo que Anne e Margot faleceram em Bergen-Belsen. Logo após, Miep Gies entrega a Otto o diário de Anne. Apenas em 25 de Junho de 1947 que Otto Frank decide publicar o diário em holandês.

 

E ela resistiu.. até onde foi possível.

Se você se interessa por essa temática, vale muito a pena adquirir o livro e conferir os links abaixo:

  • http://www.annefrank.org/pt/Anne-Frank/O-resumo-da-historia/
  • https://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/anne-frank-e-seu-diario-os-relatos-de-uma-vitima-do-holocausto-nazista.htm
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Casa_de_Anne_Frank

*Dados e datas acerca dos fatos foram obtidos através do Wikipédia e do Site Oficial Anne Frank.