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Crítica de Filmes

Estrelas Além do Tempo

Todo dia é dia da Mulher mas, essa semana em especial, iremos nos homenagear e trazer assuntos que mostrem o lado #GirlPower no entretenimento. Livros, filmes, séries, personagens, atrizes, cantoras e histórias que trazem orgulho ao nosso legado, que demonstrem força e superação ao nosso gênero. Mulheres fortes, de fibra, de garra.. que não desistem na primeira oportunidade e nem se dão facilmente por vencidas. Que ultrapassam seus limites, que rompem a barreira do preconceito e se tornam exemplos para todas nós. Pra começar com TUDO, falarei de um filme sensacional: Estrelas Além do Tempo.

Estrelas Além do Tempo

Hidden Figures levou três indicações para o Oscar, incluindo o de Melhor Filme, mas não conquistou nenhuma das indicações.

Direção: Theodore Melfi
Roteiro: Allison Schroeder, Margot Lee Shetterly, Theodore Melfi
Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Mahershala Ali, Kevin Costner
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (02 de fevereiro de 2016 no Brasil)

Sinopse: Enquanto os EUA disputam com a Rússia o envio do primeiro homem ao espaço, a NASA encontra em um grupo de matemáticas afro-americanas o talento que foi responsável pelas maiores operações na história dos EUA. Baseado na história real de três dessas mulheres, conhecidas como “computadores humanos”, o longa mostra como foi o lançamento do astronauta John Glenn em órbita. Dorothy Vaughn, Mary Jackson e Katherine Johnson superaram preconceitos de raças de gênero e se transformaram em heroínas.

Em Estrelas além do tempo conhecemos Mary (Janelle Monáe), Katherine (Taraji P. Henson) e Dorothy (Octavia Spencer) possuem mais do que uma amizade em comum: um QI elevadíssimo, uma inteligência rara, força de vontade, garra e persistência. Três mulheres negras talentosíssimas que trabalham na área das Matemáticas da NASA, na área das “pessoas de cor“. Enquanto Mary tem o dom de uma engenheira, Katherine é um gênio superdotada dos cálculos matemáticos e Dorothy tem um forte espírito de liderança.

Dorothy, Katherine e Mary, interpretadas por Octavia Spencer, Taraji P. Henson e Janelle Monáe respectivamente.

Outra coisa que ambas tem em comum: limitações impostas pela sociedade apenas por serem negras. Com Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe no elenco, encontramos uma história verídica que nos faz transbordar de sentimentos ao assisti-la.

Retratado nos anos 60, temos uma temática bem interessante e de construção social: o papel da mulher negra na corrida espacial, no mercado de trabalho, na sociedade e na família. A segregação racial era gritante naquela época! Tudo era feito separadamente, como se a cor de nossa pele fosse definir nosso nível de inteligência, nossas doenças, nosso caráter e nossa humanidade.

A história começa com a separação de ambas após uma distribuição de funções: Mary vai para a área dos engenheiros auxiliar com contas, Katherine para auxiliar com cálculos na engenharia e Dorothy se mantém na sala das matemáticas, trabalhando/agindo e se esforçando como supervisora, sem reconhecimento e realocação, e ganhando como matemática. O filme conta como essas 3 incríveis mulheres se destacaram, cada uma no local onde foi designada, dentro de um ambiente segregado e machista, onde a distinção entre os brancos e negros existia dos banheiros aos grupos de “amigos“.

A tensão era enorme: a NASA precisava colocar o primeiro foguete em órbita e estava vendo sua chance ficar pra trás com tantas tentativas falhas e, em seguida, com os avanços da Rússia. Milhões de dólares totalizavam os investimentos nos projetos dos foguetes.. eles não podiam mais falhar.

Essa história possue um destaque mais acentuado a Katherine e seu papel desenvolvido dentro do setor de Missões. Designada a conferir cálculos, ela sofre com o preconceito ao ter informações essenciais para suas conferências vetadas. Riscos com canetas hidrográficas eram feitos em cima de nomes, números, somas e resultados. Ao demonstrar sua sagacidade e inteligência em determinada situação, Katherine começa a ser bem vista aos olhos de John Glenn (Glen Powell), o primeiro americano a orbitar ao redor da terra.

Ela começa a quebrar seus limites e mostrar seu valor ali dentro, mesmo tendo que correr mais de 1km para ir ao banheiro para negros no outro bloco e ao quebrar sua calma ao explodir após ser questionada, em tom arrogante, por seu chefe o motivo de tamanha ausência diária. Em detrimento disso, temos um dos momentos mais emocionantes da história. Ela explode, coloca pra fora tudo o que ficou entalado: do seu café que é separado dos demais ao banheiro em outro bloco.

Liberdade nunca é dada aos oprimidos. Precisa ser conquistada, tomada.

A consequência desse ato me fez chorar. Pouco tempo após seu desabado, Katherine é surpreendida por seu chefe no corredor do outro bloco, destruindo a placa indicativa do “Banheiro para os de Cor” e declarando que na NASA não existia, a partir dali, banheiro pra branco, negro, amarelo ou seja lá o que for. Esse, sem dúvida, foi um dos grandes marcos desse filme.

Mesmo o foco maior do filme sendo em Katherine, acompanhamos também o decorrer da função de Mary: uma mulher muito inteligente, capacitada profissionalmente a ser Engenheira e que vê seu sonho vetado ao imporem uma pós-graduação para conquistar tal feito, já que as faculdades da região não aceitam negros. Acompanhamos seu alto desempenho na NASA, seus esforços e até mesmo (após um tempo) o apoio de alguns de seus colegas à sua determinação e inteligência. Acompanhamos sua luta na justiça pelo direito de estudar. E, por último e não menos importante, temos a história de Dorothy: inteligente, organizada, líder por natureza e que não mede esforços por seu trabalho. Ela assume o papel de supervisora ao trabalhar como, liderar mais de 20 mulheres no setor de Matemática de Cor na NASA, mas sempre tem seu sonho de promoção afetado pelo simples fato de “não existir vagas disponíveis“. Com o avanço da tecnologia, a chegada de enormes sistemas operacionais de cálculos e uma visão da extinção de sua tarefa, Dorothy se vê com uma missão muito importante: ou ela vai além do seu tempo, prepara suas meninas para estarem aptas a inovação.. ou ficará para trás. Ela o faz.

Não posso mudar a cor da minha pele.

Assisti esse filme no fim da semana passada e não poderia deixar de trazer esse conteúdo pra vocês. Tive um despertar de emoções absurdas com essa história! Muitas coisas nas quais eu não fazia nem ideia que de fato tinham acontecido, me deixaram repleta de orgulho dessas mulheres e outras, ao ver sendo retratadas no filme, me fizeram ter nojo e vergonha de fazer parte da raça humana.

Cada uma a sua maneira nos mostra a força de ser mulher, de lutar por seus direitos, de saber o seu valor e não desistir jamais. Não teria um exemplo melhor do que esse para iniciarmos a semana #GirlPower por aqui: 3 mulheres fortes, além do seu tempo, com inteligência, sagacidade e, acima de tudo, persistência.

Acho que podemos dizer que estamos vivendo o impossível.

Premiações já obtidas por “Estrelas além do tempo”.

A mensagem que esse filme passa vai muito além de um passo histórico contra a segregação racial, ele nos traz lições de vida, exemplos do que não devemos JAMAIS fazer na vida e nos mostram que quem realmente quer.. vai além.

Michelle Felippelli About Author

29 anos, fotógrafa, publicitária formada e uma completa bookaholic. Exatamente ao pé da letra o significado de Agridoce: amarga e doce. ;)