Crítica de Filmes

A Garota no Trem

Há quem faça comparações de “A Garota No Trem” e “Garota Exemplar” e eu concordo, mas discordo. Nesse post aqui falamos sobre o livro que originou o filme, então vale super a pena conferir! Para quem não viu nenhum dos dois, explico: para mim (e pras pessoas que viram comigo), A Garota No Trem é aquele tipo de filme que você não sabe quem foi o culpado, que não é nada óbvio e, além disso, você não sabe direito o que está acontecendo, assim como em “Garota Exemplar“.

O filme conta a história da Rachel, uma alcoólatra, desempregada e divorciada, que pega o trem todos os dias. Durante o trajeto do trem ela observa um casal, fantasia sobre eles, cria teorias e faz desenhos, conta a sua versão da história dos dois. Um dia ela desce do trem na estação, acontecem uma série de fatos inesperados, e na manhã seguinte ela acorda na sua cama, sem nenhuma memória do que aconteceu e se vendo no meio de uma investigação. Pra Rachel era comum ter lapsos de memória depois de beber muito, só que ela não esperava uma consequência como essa onde a lembrança é um fator crucial para sua integridade.

Diferente de Garota Exemplar, em A Garota no Trem você não entende absolutamente nada que tá acontecendo em pelo menos uma hora de filme! As cenas são cortadas e parece que todo mundo é doido (e de fato são), então é quase impossível você saber quem é responsável pelo o que se você não sabe direito nem quem é quem. E é sério, os personagens são muito parecidos, eu não sei direito o que é, mas toda hora a gente confundia todo mundo.

Assim que a história começa a fazer sentido e os personagens começam a ter uma ligação maior entre si, a trama fica muito melhor e conseguimos nos conectar/nos envolver de verdade, mas,a partir daí, o mistério principal começa a ficar mais óbvio.

A Garota no Trem fala de questões complicadas, dificuldade de engravidar, dificuldades em lidar com a perda de pessoas que você ama e o que tudo isso faz com a cabeça de uma pessoa e com seu relacionamento. Mostra a visão da sociedade sobre os envolvidos nesse tipo de história e você, que no final acaba julgando o tratamento que essas pessoas deram, lembra que também se convenceu disso e pensou da mesma forma no começo da história. É assim, principalmente a respeito de Rachel.

– Porque você está aqui?
– Porque eu tenho medo de mim mesma.

Eu não sei se o problema sou eu, mas parece que tudo que eu leio ou assisto ultimamente trata-se sobre relacionamentos abusivos e a visão machista da sociedade. É bem sutil, é quase imperceptível, mas está lá.

Sinceramente? Nunca tive vontade de o livro que originou a adaptação, muito menos assistir até ver a comparação com Garota Exemplar, que na minha humilde opinião é muito melhor. Mas, cada obra tem o seu valor e o seu significado.

A Garota no Trem

Autora: Paula Hawkins
Elenco:
Emily Blunt, Haley Bennett, Rebecca Ferguson, Luke Evans, Lisa Kudrow.
Direção: Tate Taylor
Duração: 1h52
Mistério/Drama
Ano: 2016
Sinopse:Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas d’água, pontes e aconchegantes casas. Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Janson –, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida. Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.
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Gírias cariocas com aquelas boas manias paulistanas. Um toque único de cada livro lido, cada série assistida, cada filme lembrado.. um conjunto de memórias, de lembranças boas a serem compartilhadas.