Crítica de Filmes

BEN-HUR

Em 1880 o então advogado, general, governador e posteriormente escritor norte-americano Lew Wallace, teve a brilhante ideia de escrever o romance bíblico Ben-Hur, que acabou caindo nas graças do público. No entanto, somente 27 anos mais tarde que veio a ganhar a sua primeira versão cinematográfica, mas ela não foi nada grandiosa comparado ao segunda (1925) e a terceira (1959) adequação desta obra-prima para o cinema.

Contudo, eu não irei me apegar ao passado audiovisual de Ben-Hur! A resenha de hoje será voltada exclusivamente ao remake de 2016 que tem Jack Huston e o brasileiro Rodrigo Santoro no elenco.

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Nas mãos do diretor russo Timur Bekmanbetov, conhecemos a história do Judah Ben-Hur e de seu irmão adotivo romano Messala Severus que, apesar de pertencerem a etnias distintas, crescem e convivem de maneira harmônica. Tudo vai indo muito ‘bem-obrigada’ entre eles até que, num dado momento da história, Judah acaba se machucando gravemente enquanto disputava com Messala uma corrida a cavalos. Ao voltar pra casa com Ben-Hur ferido em seu ombro, Severus se sente um tanto quanto inferior e deslocado ao ser recebido por sua mãe adotiva (que fica extremamente aflita ao ver o estado de Judah), e por Naomi, sua irmã adotiva por quem ele cultiva uma espécie de interesse amoroso.

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Se sentindo cada vez mais deslocado e tendo o seu avô crucificado no passado sob a acusação de ter traído Júlio César, Messala sente a necessidade de escrever a sua própria história. Ao sair do seu lar adotivo, Severus acaba tornando-se um oficial romano; nesse meio tempo, Judah também traça a sua própria história: ele desenvolve sentimentos por Esther, uma escrava e que por conta de um motivo que eu não irei contar, ele acaba não podendo (pelo menos não imediatamente) desposa-la.

Três longos anos depois, quando tudo indicava que os irmãos nunca mais iriam cruzar novamente o mesmo caminho, Messala acaba retornando a Jerusalém e lá, após um pequeno incidente envolvendo os zelotes  um grupo que se opõem aos romanos – ele se vê diante de um dilema: sua amizade com Judah e a sua lealdade ao império romano. Para não ter que escolher entre um e outro, Severus pede para que Judah Ben-Hur se torne seu informante, informa que Pilatos está em Jerusalém e que nenhum contratempo, como o que houve envolvendo os zelotes, deve ocorrer durante a sua estadia pois isso não resultaria em bons acontecimentos.

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Mas, como vocês podem imaginar, o pior aconteceu e o exército romano partiu pra cima da família de Ben-Hur, que nada tinha haver com aquela situação (vocês irão descobrir o motivo se assistirem ao longa), resultando assim no aprisionamento de todos com o consentimento de Messala, o que gera em Ben uma espécie de sentimento que funde a impotência e a indignação numa só coisa. Desesperado para proteger a sua família, ele acaba enfiando os pés pelas mãos ao querer assumir unicamente a responsabilidade do atentado contra Pilatos enquanto, paralelamente, sua esposa foge sem que ninguém perceba. Isso só serve para atiçar ainda mais a ira dos romanos e a sentença final para a sua família é: crucificamento (de sua mãe e de sua irmã) e escravidão (a dele).

O jovem príncipe judeu então passa a viver a bordo num navio de guerra e a ter como função a responsabilidade de remar como se a sua vida dependesse disso e, após cinco anos de tortura, a sua aparência nobre deixa de existir e no lugar dela temos a aparência de um pobre escravo, a mesma que os outros homens, que assim com ele foram presos pelo exército romano. Durante uma guerra marítima, o navio em que Ben-Hur se encontrava acaba sendo destruído e daí surgi uma oportunidade para ele fugir, agarrando-se a um mastro flutuante ele é levado pela maré até a terra firme, onde acaba sendo encontrado por um Sheik que o reconhecendo imediatamente como sendo um escravo.

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Não importa de onde vieram… esse navio é o seu corpo. O tambor é a batida do seu coração. E seu Deus é a glória de Roma.

Judah Bem-Hur passa então a cuidar de um dos cavalos de corrida do Sheik que se encontra doente e, consequentemente, ele acaba criando um vínculo com o animal e o animal com ele; percebendo isso, Ilderim sente-se grato, resolve torna-lo piloto de carruagem; não de uma simples carruagem, mas sim de uma das carruagens que o dá a chance de competir no recém-construído circo romano e essa nova função é tudo que Ben-Hur precisava para tomar as rédeas de sua vida e de quebra, fazer com que o prestigio de Messala diminua e assim ele consiga a sua vingança.

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Lembre-se o primeiro a chegar é o último a morrer.

Notas sobre o filme &  Considerações finais

Esse filme não era a primeira escolha quando eu fui assisti-lo no cinema, na verdade, eu estava querendo assistir Esquadrão Suicida com uma amiga, no entanto, como a sessão já estava esgotada, nos vimos num dilema: assistir outro filme ou ir embora? Optamos pela primeira opção. Pegamos  nosso lanche e, um tanto quanto frustradas ainda por não ter conseguido pega a sessão que queríamos num primeiro momento, no preparamos para começar assistir Ben-Hur.

Logo de cara percebi que aquele filme iria me agradar. mesmo não sendo muito fã de filmes com conotações imperiais e, por um instante eu poderei que esse meu gostar iniciar tinha haver com a bela fotografia e os ótimos enquadramentos, acabei concluindo que o meu julgamento transcendia a isso. Havia um enredo que me fazia vibrar no lugar e parar de comer para não perder nenhum lance, além da competência dos atores na hora de contarem aquela história.

Mesmo tendo um ritmo mais acelerado, isso não se torna um problema se você tiver um olho treinado para pegar as pequenas sutilezas informativas que o filme nos traz, como por exemplo, a participação secundária do ator Rodrigo Santoro que desenvolve um personagem emblemático (Jesus de Nazaré); mesmo com pouco tempo de tela seu personagem é de suma importância em algumas ocasiões decisivas e a suas falas acabam cruzando o caminho de Ben-Hur.

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BEN-HUR

Ano: 2016
Direção: Timur Bekmambetov
Duração: 124 minutos
Elenco: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro, Nazanin Boniadi, Ayelet Zurer, Morgan Freeman, Haluk Bilginer
Estreia: 18 de Agosto de 2016
Gênero: Aventura & Drama

Sinopse: A história épica de Judah Ben-Hur (Jack Huston), um príncipe falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala (Toby Kebbell), um oficial do exército romano. Destituído de seu título, afastado de sua família e da mulher amada (Nazanin Boniadi), Judah é forçado à escravidão. Depois de muitos anos no mar, Judah retorna à sua pátria em busca de vingança, mas encontra a redenção.

Antes que eu me esqueça: em muitos momentos essa história me lembrou da história bíblica de Moisés e Ramsés pois, no mesmo momento em que existia a cumplicidade entre os irmãos, existia certa fragilidade no relacionamento dos dois por conta de uma das partes; por haver aquele sentimento de inferioridade, a necessidade de ficar perto dos seus, de conhecer a história do seu povo, escrever a sua própria história, além do amor por uma escrava e a guerra religiosa. E, por essas e outras coisas,  passei a chamar Ben-Hur de spin-off bíblico, embora o desfecho seja bem diferente.

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20 anos, estudante de Psicologia. Formada em TV e Cinema pela Oficina de Atores em 2010. Blogueira por amor e colaboradora do #LuzCâmeraAção no Garota Agridoce. ;)