Resenhas de Livros

O Clone de Cristo – J. R. Lankford

Hoje tem resenha nova no pedaço e o gênero é um pouquinho diferente do que vocês estão acostumados a ver por aqui. Bom.. eu volto mais uma vez ao Garota Agridoce para trazer um pouquinho sobre o livro “O Clone de Cristo”, de J. R. Lankford. Espero que gostem.. 😉

Sabe aqueles livros que você vê na estante da livraria e o título já mexe contigo? Você cata moeda, faz chantagem com a irmã, implora pra mãe e percebe que não leva-lo não é opção. No fim do dia você já está na metade do livro, igual aquelas compulsivas, hahahaha.

O titulo já abre um leque de questionamentos e uma curiosidade do desenrolar da história: O CLONE DE CRISTO.

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A clonagem é um assunto extremamente polemico e divide opiniões. Uns são a favor da clonagem terapêutica, que oferece a possibilidade de repor tecidos perdidos por acidente ou pelo passar dos anos e de tratar doenças neuromusculares, infartos, derrames cerebrais, Alzheimer e outras demências, cegueira, câncer e muitas outras. Outros dizem que essa prática atenta contra o ser humano. O embrião humano tem direito à vida própria e não é lícito sacrificá-lo.

Há também a clonagem humana. Aqueles que se opõem à clonagem de seres humanos afirmam que a raça humana está tomando um caminho bastante perigoso e possivelmente irreversível que pode trazer graves consequências ao mundo. Eles lembram que a tecnologia de clonagem é ainda bastante pobre. A média de sucesso em experiências de clonagem é de apenas 3%. Muitos clones nascem defeituosos e morrem pouco após seu nascimento. Além disso, a duplicação de seres humanos implica em questões éticas e morais.

Cristo é um personagem difícil de debater. Uns acreditam em sua existência, mas não em sua divindade, outros dizem ser uma completa fabricação da aristocracia romana.


Sinopse: O Clone de Cristo é uma história fantástica sobre uma experiência secreta que pode mudar o mundo: a tentativa de clonar Jesus Cristo a partir do Santo Sudário. O Dr.Felix Rossi é o chefe da pesquisa, um conceituado cientista obcecado com duas perguntas: Será que o tecido do Sudário contém mesmo o sangue de Cristo? E o DNA ainda estará intacto? Apesar do caráter sigiloso do experimento, forças obscuras tentam impedi-lo e Rossi não tem tempo a perder: precisa encontrar uma mulher para gerar a criança. Esta trama policial arrepiante nos leva numa viagem inesquecível da alta sociedade nova-iorquina aos bares irlandeses, das igrejas do Harlem à Catedral de Turim. Uma narrativa bem construída sobre laços familiares perdidos, um homem à procura de Deus, uma mulher em busca de um sentido para a própria vida… e uma inesperada história de amor. 


Pela capa e tema parece um daqueles livros cheios de conspirações, mensagens soltas pelos capítulos que farão sentido apenas no final da história.. “Aquele estilo Dan Brown?” Não. O livro não é assim e com isso muitos podem decepcionar-se, pois a sinopse cria ares de “danbrownianos”, já outros podem gostar de uma leitura menos conspiratória.

Através de uma nova Custódia Pontifical do Sudário a igreja escolhe Felix, levando em consideração seu duplo doutoramento pela universidade de Harvard – em medicina e microbiologia – sua abordagem objetiva e cientifica, e o fato dele ser católico, devoto e filantrópico em relação à Igreja.

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Duas horas antes de encontrar-se com o artefato recebe a noticia de que sua tia falecerá deixando duas cartas, uma para ele, de seu pai, contando que seus pais abandonaram a Itália por conta dos nazistas durante a guerra:  Felix é Judeu!

Incomodado com a descoberta ele acredita ser capaz de mudar um pouco a imagem dos judeus trazendo de volta a vida aquele que seus antepassados teriam crucificado, o filho de Deus.

Felix puxou uma alavanca; seu coração batia acelerado. Uma lamina muito fina, com um gancho na ponta, apareceu. Conteve a respiração. Cortou dois fios mais escuros, depois deslocou-o três centímetros e voltou a cortar. Levantou a cabeça, limpou os olhos na manga da camisa e viu que o padre Bartolo falava com um dos outros sacerdotes. Felix debruçou-se sobre o microscópio. Quando a lamina foi recolhida, os pedaços de fio vieram junto, transportando centenas de células sanguíneas que, Felix tinha certeza, continham o DNA do Filho de Deus.
Arfando, levantou o precioso fruto do seu roubo.
Os judeus não tinham matado Cristo.
Mas, se Deus quisesse, um judeu iria trazê-lo de volta ao mundo.

 Ao retornar para sua cidade Felix encontra Jerome Newton, jornalista do NYT que após um breve dialogo desconfia da visita de Felix a Turim e resolve buscar mais informações sobre os passos do cientista subornando o porteiro Sam Duffy, que relata a visita do jornalista para seu chefe, o magnata Sr.Brown. Nada satisfeito com a imprensa por perto, exige investigação para saber o motivo de tanto interesse.

A busca por sua nova “Maria”, o trabalho cientifico para poder reproduzir o DNA daquele que seria o salvador do mundo, a perseguição da imprensa, do poderoso Brown, que ao longo do livro mostra ser um figurão altamente influente em grandes acontecimentos globais.

A volta do Cristo poderia causar grandes estragos e abalos pelos quatro cantos do mundo.

Brown o interrompeu:
– Possibilidades não têm nenhuma importância aqui. Existe um cientista americano que acredita estar clonando Jesus? É isso que quero saber.
Era seu dever ter me informado do assunto, Sam.
Sam deu um tapa no jornal com as costas da mão.
– Isso prova que é tudo uma grande mentira, como já disse anteriormente. Clonar Jesus? Inacreditável. De fato, é impossível.
Brown levantou-se e dirigiu-se às estantes. Seu olhar parecia preocupado. Tirou um livro.
– Eu me interesso por convicções, não por possibilidades. – Ele tinha um livro na mão e levantou-o para Sam. Era A guerra dos mundos, de H.G Wells. – Já leu?
– Uma vez. Marcianos que desembarcam em Nova Jersey e dominam tudo.
– Sim, lembra-se do que aconteceu?
– Sim, Orson Welles fez um drama radiofônico baseado nesse livro. Fez uma simulação de noticiários, como se fossem verídicos, e assustou todo mundo.
– O desembarque de um marciano era impossível. – Brown arrumou o livro. – No entanto, houve tumultos nas ruas, engarrafamentos, pânico generalizado em toda Costa Leste, porque as pessoas acreditaram.
– Mas isso foi há muitos anos, por volta de 1930, creio eu. Quem, nos dias de hoje, iria acreditar que Jesus Cristo pode ser clonado?
– Na sua opinião, a natureza humana alterou-se nos últimos sessenta e tantos anos?
– Creio que somos suficientemente civilizados para…
– Pare Sam. – Brown dirigiu-se novamente para a escrivaninha, sentou-se e inclinou-se pra frente. – Pare de pensar.
[…]
– Isso não um trote. Há algo por trás dessas histórias.

Em determinada parte, a história do clone assemelha-se com a original da Biblía. No momento do nascimento há perseguição. Os “grandes” não querem o retorno de qualquer imagem que possa influenciar a nação.

Há pontos fracos no livro, como um dos personagens principais, Dr Rossi, ser extremamente fraco para uma trama [que poderia ser] tão intensa. Cenas desnecessárias de sexo.

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Já os pontos fortes são a audácia e inteligência do repórter. Políticos aproveitando da situação para autopromoção da imagem. Poder demasiado nas mãos de um único homem. O posicionamento da igreja perante a situação. A história gira em torno de um clone que “talvez” seja o de Cristo, visto que não existem provas da autenticidade do Sudário de Turim. Com certeza a cena do nascimento é o ponto que mais prende a atenção daquele que lê, já que é muito bem elaborada e cheia de detalhes e suspense.

Com certeza esse é um tema peculiar, um assunto muito polemico para se escrever. O livro te puxa, te suga. Imediatamente cresce aquela vontade de não parar a leitura, mesmo quando esperamos mais de algumas partes e alguns personagens.

O final pede uma continuação e não é atoa que essa história terá um segundo livro, né? 😉 Estou ansiosa para ler e descobrir se vale ou não a pena dessa “aventura”.

Nota três pela coragem de abordar o tema e capacidade de criar uma boa história em cima dele, mas não poderia dar nota maior pois o assunto é forte demais e a história não corresponde totalmente a expectativa.

Vale a pena ler. Linguagem fácil, agradável, simples e bem detalhada.