Resenhas de Livros

A primeira história do Mundo – Alberto Mussa

Quando fui apresentada a news da Editora Record pude escolher um – sim, apenas UM – dos livros. Muitos chamaram-me atenção, e o sortudo do dia foi “A primeira história do mundo” do Alberto Mussa. A capa do livro é simples, as cores são sóbrias e a descrição deixa uma sede de “quero mais“.

A primeira historia do mundo

A primeira história do mundo

Autor: Alberto Mussa
Editora: Record
Número de Páginas: 240
Ano de lançamento: 2014

RIO 1567. UM ASSASSINATO. 400 HABITANTES. 60 ENVOLVIDOS.

O romance baseia-se em parte da documentação de um caso real: o primeiro registro formal de um assassinato no Rio de Janeiro, de 1567, crime passional, história de adultério, que enredou, entre acusados e testemunhas, espantosos 15% da população da cidade (que não passava de 400). Uma deliciosa trama policial, em que os mitos fundadores do Brasil, sobretudo os indígenas, associados à própria tradição do gênero literário policial, serão fundamentais para a solução do caso.

A primeira história do mundo é o novo livro do mais original e criativo ficcionista brasileiro.


Primeiro: Romance não me ganha muito, mas quando foi mencionado “baseado em parte da documentação de um caso real“… Ponto pra Bebeto Mussa.
Segundo: Histórias sobre assassinatos são muito envolventes e não dão espaço para pausas, pois o leitor quer desvendar o assassino antes mesmo que o livro o revele, mas o que realmente chamou atenção não foi o assassinato, mas sim ‘onde’ e ‘quando’ ocorreu. Por ser uma história real, por ter acontecido na minha terra e por conter nomes que muitas vezes escutamos nas aulas de história.
Terceiro: Por ser uma história com pouco mais de 200 páginas (o que não significa pouco conteúdo). Não podendo desviar-me muito dos estudos não iria pegar uma saga Harry Potter agora, né!

Típico livro rápido em leitura e rico em conteúdo. Proporciona aquela montanha russa de emoções: quero terminar logo pra descobrir quem foi…DROOOGA! Não queria que acabasse tão rápido. Uma pausa para meu momento bipolar

Vamos ao livro!

A primeira história do mundo tenta desvendar o mistério por de trás do assassinato de Francisco da Costa, serralheiro, casado com Jerônima Rodrigues. As primeiras páginas são claras e vão direto a cena do crime, detalham o local em que a vítima fora encontrada e as circunstâncias. O engraçado do livro é que você (pelo menos no meu caso) demora um pouco para assimilar que a história está acontecendo em ruas nas quais você caminha, mas isso não significa que você conheça o cenário. Estamos falando do ano de 1500, do Rio de Janeiro, onde índios andavam por essas terras, onde não existiam as barcas, o shopping e muitos lugares mal alcancavam a luz do sol, pois a mata era extremamente fechada. Pra que o leitor alcance rapidamente essa idéia o autor coloca, antes mesmo de começar a história, dois mapas:

1- Mapa da capitania de São Vicente antes de 1565 (pág 9).
2- Mapa do Rio de Janeiro entre 1565 e 1567 (pág 11).

Com o passar da história o leitor vai acostumando-se com o ambiante.

A cena do cadáver é breve e cheia de detalhes, desde marcas de sapato no solo até a ausência de uma das flechas, que ferirá o serralheiro, e de sua bolsa. Rapidamente pulamos para a sentença do condenado a forca, essa que por sua vez fora rapidamente fora dada, mesmo para os padrões do tempo. O corpo do serralheiro fora achado na Carioca, perto da Casa de Pedra, num sábado, 14 de julho de 1567; e a execução acontecia naquele 11 de outubro, porém havia MUITAS dúvidas sobre a identidade do verdadeiro criminoso.

A forca? Falhou! E o mameluco (mestiço, filho de índio com branco) Simão Berquó, o mesmo que encontrará o cadáver e dera a notícia do crime, em vez de pender na forca, quebrou apenas uma perna.

Muitos eram os suspeitos, os motivos giravam em torno de Jerônima Rodrigues, mameluca, natural de Vila Santos, chegara à cidade em 1566 pela providência dos padres, a ideia era povoar rapidamente a cidade. Jerônima, assim como as demais, vinham para casar. A moça tinha sido prometida a dois homens, escolhendo no fim um terceiro, o serralheiro. Havia mais homens do que mulheres na cidade, logo a cobiça era grande…os suspeitos são formados em cima disso.

Rodrigo de Vedras
Afonso do Diabo
Tomé Bretão
Melquior Ximenes
Martin Carrasco
Brás Raposo
Gonçalo Preto
Duarte Velho
Simão Berquó
Gomes Torrinha

Como chegaram ao cenário do Rio de Janeiro, motivos pelos quais poderiam matar Francisco, o que teriam feito no dia do assassinato. Tudo muito envolvente, pois não se trata de personagens comuns do nosso século e sim de homens vindos de outros países, que envolveram-se em expedições, relacionaram-se com indígenas entre outros fatos excitantes e distantes de nossa realidade.

Muitas histórias precisam ser contatas para poder chegar ao ponto chave que nos leva ao possível motivo para o assassinato. O mais gostoso do livro são as viagens que essas histórias proporcionam. Uma das histórias relata a tentativa de um padre salvar duas vítimas índigenas que seriam sacrificadas e posteriormente devoradas por outros índios… o incrível é que as vítimas não queriam ser salvas, elas preferiam ser devoradas. O motivo? “Espiritual”. Essa foi uma das diversas histórias indígenas que mais chamou-me atenção.

Esse é o bom do livro, ele não traça a personalidade dos envolvidos, ele simplesmente te relata fatos e isso cria o cenário épico na mente do leitor. O mais legal, não é pura invenção, claro que há diversas suposições, mas nada que nos tire dos trilhos da veracidade.

O final do livro é surpreendentemente chocante, pois é um daqueles momentos que você começa a ler desesperadamente rápido pra descobrir e ao mesmo tempo se embola, precisando voltar a leitura e, para não correr o risco daquela empolgação te fazer perder o foco novamente, você lê quase que saboreando cada letrinha, nesse momento você nota que cada história contada no livro, cada detalhe cultural das tribos, cada costume da época e os momentos descritos vão se encaixando com a cena do crime… e vem aquele BUM… e você quer chorar pois o livro está próximo aos momentos finais.

Bom, eu espero ter deixado uma opinião clara de ser entendida e que vocês que gostam do gênero Romance histórico possam adquirir esse livro e se encantar com esse relato surpreendente.